Filme Queimado




Escrito por Matarazzo às 09h46
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Lapsos Matinais

 

Coisas que valem um domingo:

Fotos mais ou menos sobre coisas incríveis.

 

 

Now Playing Flamming Lips – Yeahyeahyeah Song

 

“If you could blow up the world with the flick of a switch
Would you do it?
If you could make everybody poor just so you could be rich
Would you do it?
If you could watch everybody work while you just lay on your back
Would you do it?
If you could take all the love without giving any back
Would you do it?
And so we cannot know ourselves or what we'd really do...

With all your power
With all your power
With all your power
What would you do?”



Escrito por Matarazzo às 13h09
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Microscópio

 

Isso é o que você faz quando quer fotografar em uma manhã de sábado mas não está com saco de por o pé na rua. Você vaga pelos destroços da sua casa em reforma – a minha parece um cartão postal de Kosovo - e fica sonhando sobre quando tudo vai voltar pro lugar.

E ai você começa a cruzar com uns velhos conhecidos que por algum motivo você já não prestava mais atenção.

Um brinde aos pedaços da casa que em breve voltam pro seu lugar e para o ostracismo da minha atenção.

 

 

 

 

Now Playing: Wave of Mutilation - Pixies

 

“Cease to resist, giving my goodbye
drive my car into the ocean
you'll think i'm dead, but i sail away
on a wave of mutilation
a wave
wave

 

i've kissed mermaids, rode the el nino
walked the sand with the crustaceans
could find my way to mariana
on a wave of mutilation,
wave of mutilation
wave of mutilation
wave

wave of mutilation
wave”

 



Escrito por Matarazzo às 11h58
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Eletric Eye

 

Achei uma utilidade para o Google Earth além de ficar procurando o telhado de casa. Ano passado durante a mesma viagem em que encontrei o Josh, fiz uma foto que sempre me constrangeu. É da janela do avião momentos antes de pousar. A foto é até legal mas eu não fazia a menor idéia do que se tratava. São várias baías quadradas repletas de alguma coisa ora vermelha, ora laranja. Cheguei a dizer que eram campos de bosta. Mas nunca me dei ao trabalho de entender do que se tratava. Na verdade tentei, mas por não saber exatamente aonde era ficava difícil buscar “shit fields” no Wikipedia e encontrar alguma resposta.

Mas nada como ociosidade para iluminar o breu cerebral. Com dois dedos de paciência e uma ajuda do Olho que tudo Vê informo que a meleca vermelha se trata de um slough ou marshlands, trocando em miúdos para os leigos em geomorfologia, um meio termo entre mangue e pântano. E o vermelhão em nada tem a ver com a dieta americana, é um tipo de alga podre que fermenta e fede exatamente como a Billings todo verão.

 

 

A tal foto:

 

 

E os "shit fields" no Google Earth. Se quiser ver de uma olhada nas imediacoes de Redwood City, nos suburbios de San Francisco.

 

 

E como dizem que todas as fotos já foram feitas, eis alguém que conferiu a meleca antes de mim: Scott Haefner.

 

Now Playing : Eletric Eye – Judas Priest

“ Up here in space
Im looking down on you
My lasers trace
Everything you do

You think youve private lives
Think nothing of the kind
There is no true escape
Im watching all the time

Im made of metal
My circuits gleam
I am perpetual
I keep the country clean

Im elected electric spy
Im protected electric eye”



Escrito por Matarazzo às 15h48
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Fantasmas

 

Isso sempre acontece.

Depois de muito tempo, remexendo os arquivos aparece uma imagem assim. Você não dá a mínima para ela quando selecionou o que era digno de impressão. Até considerou mandá-la para o lixo, mas uma das vantagens das mídias digitais é isso; em um mundo que agora acha bonito ser carbon free você pode cristalizar sua poluição em um CD. Ou um DVD, ou ainda em um HD remoto, escondido em algum bunker na Bósnia.

Então em um dia com tempo demais, você dedica um segundo a mais de atenção e descobre um detalhe. E é isso. Só uma fagulha. Às vezes é até irritante, faltou tão pouco para ser o que deveria, dois dedos de esforço e você teria conseguido. Mas como tudo mais que é construído de memórias, era só aquele instante e você perdeu.

Fica um gosto de que as melhores imagens são essas. As que escaparam.

Essa aqui ficou presa pelo rabo.

Esperando o fim da chuva no batthi de Sangbadanda.

 

 

Now Playing: Arcade Fire - No Cars Go

 

“We know a place where no planes go
We know a place where no ships go

(Hey!) No cars go
(Hey!) No cars go
Where we know

We know a place no space ships go
We know a place where no subs go

(Hey!) No cars go
(Hey!) No cars go
Where we know”



Escrito por Matarazzo às 12h57
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No caminho do Inferno Digital

 

Acredite, o Photoshop não é apenas um reboco digital para celulite.

Também serve para outras coisas além das montagens que seu primo entulha na sua caixa de e-mails religiosamente toda manhã.

Há uns poucos, quase uma Opus Dei de tão secreta, que usam esse renomado instrumento para pasmém, retocar imagens. Assim, só para acertar aquele detalhe pentelho que fica chiando na vista toda vez que você olha para a foto.

Agora como toda ordem secreta, ela é cheia de nove horas, e qualquer deslize é tachado como o maior dos sacrilégios. São mais conservadores que republicanos e alguns dos pecados são um bilhete de mão única para o inferno.

Na era da ética sobre tudo, (na verdade de sobretudo. E te esperando na esquina para te apunhalar pelas costas), o pecado mortal atende pelo verbo mentir, ou seu correligionário jornalístico: adulterar.

Acredite essa é uma linha muito, mas muito tênue. Você tem a liberdade monitorada para digamos, amplificar a sua idéia. Dar um tapa no contraste, ajustar as cores, minimizar um ruído e em algum momento de ousadia extrema abusar da saturação. Mas nem pense em tirar ou por algum pixel. A mais inocente edição vai levar o seu trabalho para o banco dos réus, passível de receber a mais baixa alcunha da fotografia: a foto-montagem.

Foto montagem é o nome cientifico para o que você fazia no maternal com um monte de revistas, cola Tenaz® e catota de nariz.

Tem gente que celebra essas aberrações como uma forma de expressão, mas lembre-se tem gente que comemora a formatura da quarta-série.

 

Tudo isso por que eu passei horas pensando no que fazer para salvar essa foto. Tem um ruído horroroso no original, parecido com aquele efeito moiré de scanner velho. Uma bela cagada minha. Confesso com as mãos sujas.

Mas juro sobre o bloco de papel Ilford que apesar de me esticar com histogramas e curvas de tom, não coloquei – e nem tirei – nada dali.

Nem com o Paintbrush.

A noiva de Las Vegas agradece. 



Escrito por Matarazzo às 13h46
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Sobre Coisas Pequenas e Sujas

 

Excêntrico é algo tão estranho que você não consegue ter a certeza de que é ridículo.

Enveredar pela macrofografia é ganhar uma credencial de excêntrico.

Você vai passar horas perambulando pelo mato, agachado pelas moitas, olhando para coisas que ninguém mais está vendo, e falando consigo mesmo quando não está tentado dirigir formigas, lesmas e besouros. Sua sorte é que pouca gente vai vê-lo. Mas tenha a certeza de que a sua reputação nunca será das melhores.

Lembro de um tio, que na falta do que fazer quando viajava para o interior ajudava um amigo entomologista catando besouros no meio do mato. Ele nem era assim ligado na coisa, mas curtia caçar os bichos, completamente na dele. Só caiu na besteira de fazê-lo no perímetro urbano de uma cidade com menos de dez mil habitantes. Em dias, as teorias da conspiração sobre o estranho homem com vidros de maionese no bolso da bermuda, passaram de pesquisas governamentais á profecias messiânicas. Tudo foi cogitado menos, a estúpida possibilidade de alguém prestando atenção em insetos.

 

Um salto de bungee-jump no jardim.

 



Escrito por Matarazzo às 14h04
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Wild, Wild life

 

Pra começar uma foto pra esculhambar com o meu argumento anterior. Sim, paisagens.

No caso, a Serra de Itatiaia bombardeada de sol e chuva, com uma cara de acidente nuclear.

 

Fotografar no mato é sempre um exercício complicado, e talvez por isso gratificante. Dificilmente você faz uma foto que faz jus ao local, principalmente se é a sua primeira vez por lá. Talvez por que o encanto todo seja estar ali. Mas a missão de uma fotografia é meio essa, guardar o lugar e o momento em uma mídia acessível a pernas menos chegadas em caminhar.

 

Então você elege esses pontos que você consegue visitar duas, três vezes por ano, e vai gastando as suas idéias até realmente descobrir uma imagem. É complicado e ao mesmo tempo divertido. Principalmente por que sempre me ocorre uma idéia genial no caminho de volta. Você posterga a execução para uma próxima ida, e naturalmente esquece.

 

O melhor é que você sempre volta com uma foto ótima de outra coisa que não é o que você foi procurar. E neste aspecto o mato é pródigo em fornecer motivos. Sempre que quis fazer umas fotos de bichos eles sumiam, se eram flores, chegava na época mais seca e por ai vai. Bichos por sinal são um pequeno inferno astral para qualquer fotógrafo. Nem no zoológico eles ficam fotogênicos. Deveriam canonizar – ou internar - gente que consegue ficar parada dentro de caixas camufladas sob um calor de 50 graus durante meses para fazer “a” foto. Prefiro ter a sorte daquele cara que vira o mundo atrás de fotos de animais, para ganhar um prêmio com a única que fez no quintal de casa.

 

Eis um desses tropeços pelo caminho.

 

Um lagarto típico da Pedra Grande, que parece viver em uma dieta de anfetaminas de tao arisco. Nunca consegui fotografá-lo a não ser quando fiz a trilha pensando em fotografar os vôos de paraglider.

 

 



Escrito por Matarazzo às 14h29
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A Arte da Negociação ...continuação.

 

 

Houve um sadhu em Katmandu que foi um caso á parte. Com ele consegui as duas partes do meu pequeno teorema. Sadhus são uma praga fotográfica asiática. Os verdadeiros homens santos não são tão fáceis de identificar e há uma horda de figurantes que cobram para ter sua imagem carregada para o ocidente. Mais ou menos como os vagabundos fantasiados de personagens famosos na frente do Chinese Theater em Los Angeles.

Na primeira foto consegui o seu perfil, emoldurado por uma espécie de capela (É uma linga de Shiva, mas você não quer saber disso).

Depois ao ver a minha máquina, ele se ofereceu para tirar uma foto, pela módica quantia de 200 rúpias (algo como sete reais na época). Cinqüenta rúpias mais tarde levei para casa a sua cara medonha junto com seu cajado – notem as diversas moedas do mundo pregadas nele.

 



Escrito por Matarazzo às 13h15
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A Arte da Negociação

 

Paisagens são realmente legais, mas principais se você está nela. Tirando isso, dispenso perder muito do meu tempo com elas.

Claro que faço fotos de paisagens, mas acho dificílimo fazer algo realmente legal com horizontes, nuvens e montanhas. Legal mesmo é fotografar gente. Legal e infinitamente mais complicado. Você não pede licença para fotografar um lago, você não ameaça a privacidade de uma montanha, e certamente não recebe ameaças à sua integridade física ao retratar uma árvore. Com pessoas essas são apenas algumas das opções.

Claro que há gente genial até para isso, vide o Ansel Adams . Mas quem paga as minhas ampliações sou eu, então me reservo o direito de gastar meu tempo com coisas que me chamam mais a atenção.

Esse é um assunto infindável, e não tenho dúvidas, se este espaço perdurar por mais tempo que a minha paciência, devo voltar a ele várias vezes.

 

Quando você tem uma câmera na mão é natural tornar-se persona non-grata em um sem fim de ambientes: museus e cassinos são casos notórios. Ainda que vivamos sob bilhões de câmeras de vigilância todo dia, o fato de vermos a cara do bisbilhoteiro junto com a arma do crime cria uma antipatia instantânea na maior parte das pessoas. Cabe ao infeliz fotógrafo duas opções: o anonimato ou a intervenção.

No primeiro caso, basta um pouco de bom-senso, imaginação e prática. Ajuda se sua máquina não parecer uma caixa de sapatos. Tele-objetivas são incríveis para xeretar, com o revés de tornar a tarefa de manter-se incógnito ainda mais complicada. Talvez a melhor coisa de trabalhar assim é a espontaneidade. Você vê coisas que não ficariam nem de longe interessantes se a pessoa soubesse que você está ali.

 

Mas tem um quê de covardia nisso. É um pequeno furto, sem dúvida. E se você acha que não, imagine ver em um vernissage uma bela foto sua com o dedo afundado no nariz em uma tarde de trânsito infernal, quando o carro parecia o seu próprio castelo.

Por isso há de se reconhecer quando numa atitude um pouco mais nobre, você se anuncia e deixa toda a espontaneidade escorrer pelo ralo. O trabalho para conseguir algo legal vai ser triplicado, mas às vezes vale o esforço. Mesmo se a foto ficar uma merda, no mínimo dá uma estória pra contar depois.

 

Foi assim com Josh. Um mendigo que encontrei em San Francisco. Estava a mais ou menos uma hora parado em uma esquina fotografando o trânsito, quando essa figura apareceu completamente trincado dançando pela calçada. Tentei fazer uma foto na manha, mas ficou uma bosta. Em segundos ele percebeu, e como todo bom californiano frito resolveu iniciar um tratado sobre sua vida porra louca. Depois de trocarmos juras de amizade eterna, pedi pra fazer uma foto e ele ainda mais imbuído do american way of life puxou sua lista de exigências: um par dos meus cigarros, e duas doletas. Trato feito, tentei por cinco minutos fotografá-lo, mas minha crueza técnica aliada as condições de luz e a visível crise de abstinência do Josh que tremia em todas as direções simultaneamente, arruinaram qualquer possibilidade de algo mais definido. No final, acho que a foto acabou ficando mais fiel ao Josh do que eu poderia conceber.



Escrito por Matarazzo às 13h11
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A Síndrome do Postal.

 

Você já passou por isso. Alguém acabou de voltar de viagem, você vai lá matar a saudades, botar o repertório de bobagens em dia e ele em algum momento entre a segunda e a quinta breja vai te fazer um convite indecoroso. Seu amigo todo animado como se tivesse lhe entregado ingressos para o show mais disputado da temporada, vai aparecer com um álbum de fotos: e-n-o-r-m-e. E acredite, você vai escutar explicações para cada uma das fotos, e a gigantesca maioria, se não for acompanhada de uma boa estória sobre como foi assustador passar a noite no meio daquela lugar sem gasolina, vai ser uma sucessão das temidas fotos cartão-postal.

Fotos Postais são aquela fotos como as do Tourist Guy , só que infinitamente mais entediantes. São as preferidas do orkut classe mérdia.

Ficam ainda melhores quando não tem ninguém mais pra tirar – quer dizer sempre tem, só que o seu amigo não fala nada que não seja entendido fora das fronteiras da Mooca - e saem aqueles enquadramentos incríveis cheios de papadas, o monumento da vez cortado, geralmente não dá nem pra saber direito onde é afinal.

Pensando bem eu adoro fotos-postais. Elas são o que há de mais humano na fotografia. São fotos recheadas da ingenuidade – e pretensão - de guardar um momento.

Essas ai pelo menos eram originais. Faziam a mesma pose em todos os monumentos de Roma.



Escrito por Matarazzo às 13h16
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Janelas

 

Bom dia, crianças.

Você era daqueles pentelhos que em uma viagem de carro ficavam perguntando de cinco em cinco minutos, quanto tempo falta para chegar? A coisa funciona mais ou menos assim: Consumido até as unhas pelo tédio, você jogava catota de nariz no cabelo da sua irmã, para logo receber um tapa, fingir que vai parar e depois de vinte segundos revidar com mais uma pelota caprichada. A estória toda dura no máximo uns dez minutos por que de repente logo após o seu último arremesso e os invariáveis gritos de nojo dela, uma voz assustadoramente irritada costuma rasgar do banco da frente, quase sempre acompanhada de uma enorme mão espalmada que além de rápida, é extremamente pesada e certeira.

Com esse final trágico, e uma enorme dor na orelha você desiste dos lançamentos e volta a ter uma única amiga: a janela.

 

E isso vai ser por horas e horas.

Você vai criar esportes imaginários, como contar carros, procurar vacas, e rezar por alguma novidade, nem que seja um cachorro atropelado. Novidade mesmo nunca acontece, mas você tem a esperança dos desiludidos, afinal não tem mais porra nenhuma para fazer no carro.

Você vai ficar horas estático; babando, com o nariz sujando o vidro até que do nada, em uma vala ao lado do acostamento vai ver um anão com uma enorme cabeça verde fatiando uma vaca com uma serra elétrica. Ele para, enxuga a testa e lhe acena. Você, petrificado tenta falar alguma coisa, mas não consegue. Cutuca a sua irmã e aponta para a estrada.

Ela pensa que você voltou a espalhar ranho no ombro dela agora. Um grito, um safanão e o anão e a sua estória somem em um piscar de olhos.

Você vai crescer, comprar uma máquina fotográfica, e quando se enfiar em um ônibus ou trem vai passar horas buscando alguma coisa que chegue aos pés da visão do anão verde.

Tudo isso para descobrir que mesmo que você o veja de novo, sua máquina vai te trair no último momento.

 

Tirar fotos em movimento é mais ou menos isso. Você não consegue focar direito, enquadrar é um chute e você sempre descobre que tirou uma foto sensacional um segundo tarde demais. É uma sessão de masoquismo. Mas às vezes, bem às vezes, sai algo que preste.

 

Essa por exemplo foi feita com o onibus disparado sobre uma pinguela entre Katmandu e Jiri...

 

...e essa e' uma plantacao de arroz, no meio do nada, na mesma viagem.

 

Mas orgulho mesmo eu tenho desta:

O enquadramento e' tosco/nulo; o sujeito - arco iris -  e' uma coisa afrescalhada e muito chavao (alias preciso me lembrar de escrever algo sobre chavoes), e as cores sao horriveis.

Mas fazer uma foto em movimento, dirigindo o carro, debaixo de uma puta chuva na Dutra durante o carnaval, tem la' seus meritos.



Escrito por Matarazzo às 09h53
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O esporte dos preguiçosos

 

Sim eu gosto de fotografar, e pelo jeito você também, ou vai deixar esse espaço nos próximos dez segundos.

 

Se você acredita que fotografia é arte, também não vai demorar muito por aqui. Vamos ser sinceros, a estória toda de bater uma foto digna de alguma coisa parecida com satisfacao, é um verdadeiro misto de rabo com oportunidade. Não tem nada de esforço, de leitura de mensagem e outras bobagens acadêmicas. O custo beneficio é o que importa, afinal é preciso muito pouco para conseguir o que se quer. Um clique. Um clique certo de preferência. Agora coloca um infeliz para pintar uma tela inteira de dois por dois metros, algo que exija um mínimo de técnica e coerência para depois de um dia, na melhor das hipóteses descobrir que fez uma grandíssima merda, ou melhor, não fez merda nenhuma.

Enquanto o equivalente de merda fotográfica se restringe a um olhar torto do seu progenitor e um envio silencioso, no máximo envergonhado, para a o cemitério dos bytes. Duvida?

Componha uma música, em vá lá, uns dois minutos.

Vomite um livro; bom, por favor; em digamos... um dia.

 

Percebe? Com fotografia não tem sofrimento. Por isso eu gosto tanto. Não tenho a paciência necessária para construir uma obra aos poucos, juntando cacos, polindo e esculpindo alguma coisa.

 

E sobre tudo, a fotografia é um esporte para os humildes.

Exceção ao fotógrafo das peladas, alvo da inveja de todo punheteiro, o fotógrafo é por essência um rabudo, na hora e lugar certos. No final das contas, quando conseguir alguma coisa com um mínimo de qualidade, da qual sinta uma ponta de orgulho, sua bola nunca vai ficar muito cheia, afinal é certo que alguém vai disparar a queima roupa o reconfortante: “Pô, mas essa sua máquina é muito boa, hein”.

 

O fotógrafo nunca é um autor, no máximo uma testemunha.

Bom eu me contento com essa sub-categoria da produção criativa.

 

Essa vai ser a dinâmica por aqui, fotos que dei sorte de tirar, e restos digitais de coisas que tentei fazer sempre cozidas com alguma explicação tosca, um link aqui e ali para encher lingüiça e outras bobagens que encontrar ao longo do caminho.

 

(Mas que moral... já começo com uma foto que obviamente não é minha.)



Escrito por Matarazzo às 14h13
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